kdcmar
12-01-2004, 21:13
"Querido Diário, - Passei no exame de condução! Posso agora
conduzir o meu próprio automóvel, sem ter de ouvir as
recomendações dos instrutores, sempre a dizerem-me "por aí é
sentido proibido!".
"Vamos em contramão!"; "Olha a velhinha! Trava! Trava!", e outras
coisas do género. Nem sei como aguentei estes últimos dois anos e
meio...
8 de Janeiro
- A Escola de Condução fez-me uma festa de despedida. Os
instrutores nem sequer deram aulas. Um deles disse que ia á missa,
julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam
embebedar-se, para comemorar. Achei simpática a despedida, mas
penso que a minha carta não merecia tal exagero.
12 Janeiro
- Comprei carro, infelizmente tive que deixar o carro no
concessionário, para substituir o pára-choque traseiro, quando
tentei sair, meti marcha-atrás em vez de primeira. Deve ser falta
de prática. Há uma semana que não conduzo!
14 Janeiro
- Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair do "Stand", que
resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiverem a mesma
ideia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos a buzinar
como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na
brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5 à
Hora. Os outros gostaram buzinando ainda mais.
22 Janeiro
- Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em
grandes letras: "ATENÇÃO ÁS MANOBRAS", marcaram com tinta branca
um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de
sair à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para
não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...
31 de Janeiro
- Os outros automobilistas estão sempre a buzinar e acenar-me.
Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. È que um deles
apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que
me apontava, quase bati. Valeu que eu ia á minha velocidade de
cruzeiro de 10 à Hora.
10 de Fevereiro
- Os outros automobilistas têm hábitos estranhos. Para além de
acenarem muito, estão sempre a gritar. Não os ouço, por ter os
vidros fechados, mas julgo que me querem dar informações. Digo
isto porque julgo ter percebido um a dizer "Vai para Casa ". A ser
verdade, é espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde eu ia.
De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão de abrir
os vidros vou tirar muitas duvidas.
19 de Fevereiro
- A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje a minha 1ª condução
nocturna e tive de andar sempre nos máximos, para ver
convenientemente. Todos os automobilistas com que me cruzei
pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns
chegaram mesmo a acender outros
faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadelas. Talvez
para espantar qualquer cão ou gato. Sei Lá.
26 de Fevereiro
- Hoje tive um acidente. Entrei numa rotunda, e como havia muitos
automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns
quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao
centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por
ficar tonta e fui chocar com o monumento ao centro da rotunda.
Acho que deviam limitar a circulação nas rotundas a um carro de
cada vez.
3 de Março
- Estou em maré de azar. Fui buscar o carro à oficina e, logo á
saída troquei os pés, acelerando a fundo em vez de travar.
Abalroei um carro que ia a passar, amassando-lhe todo o lado
direito. O
automobilista era, por coincidência, o engenheiro que me fez o
exame de condução. Um bom homem, sem duvida. Insisti em dizer-lhe
que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de
repetir: "Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!".
conduzir o meu próprio automóvel, sem ter de ouvir as
recomendações dos instrutores, sempre a dizerem-me "por aí é
sentido proibido!".
"Vamos em contramão!"; "Olha a velhinha! Trava! Trava!", e outras
coisas do género. Nem sei como aguentei estes últimos dois anos e
meio...
8 de Janeiro
- A Escola de Condução fez-me uma festa de despedida. Os
instrutores nem sequer deram aulas. Um deles disse que ia á missa,
julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam
embebedar-se, para comemorar. Achei simpática a despedida, mas
penso que a minha carta não merecia tal exagero.
12 Janeiro
- Comprei carro, infelizmente tive que deixar o carro no
concessionário, para substituir o pára-choque traseiro, quando
tentei sair, meti marcha-atrás em vez de primeira. Deve ser falta
de prática. Há uma semana que não conduzo!
14 Janeiro
- Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair do "Stand", que
resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiverem a mesma
ideia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos a buzinar
como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na
brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5 à
Hora. Os outros gostaram buzinando ainda mais.
22 Janeiro
- Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em
grandes letras: "ATENÇÃO ÁS MANOBRAS", marcaram com tinta branca
um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de
sair à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para
não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...
31 de Janeiro
- Os outros automobilistas estão sempre a buzinar e acenar-me.
Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. È que um deles
apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que
me apontava, quase bati. Valeu que eu ia á minha velocidade de
cruzeiro de 10 à Hora.
10 de Fevereiro
- Os outros automobilistas têm hábitos estranhos. Para além de
acenarem muito, estão sempre a gritar. Não os ouço, por ter os
vidros fechados, mas julgo que me querem dar informações. Digo
isto porque julgo ter percebido um a dizer "Vai para Casa ". A ser
verdade, é espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde eu ia.
De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão de abrir
os vidros vou tirar muitas duvidas.
19 de Fevereiro
- A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje a minha 1ª condução
nocturna e tive de andar sempre nos máximos, para ver
convenientemente. Todos os automobilistas com que me cruzei
pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns
chegaram mesmo a acender outros
faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadelas. Talvez
para espantar qualquer cão ou gato. Sei Lá.
26 de Fevereiro
- Hoje tive um acidente. Entrei numa rotunda, e como havia muitos
automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns
quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao
centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por
ficar tonta e fui chocar com o monumento ao centro da rotunda.
Acho que deviam limitar a circulação nas rotundas a um carro de
cada vez.
3 de Março
- Estou em maré de azar. Fui buscar o carro à oficina e, logo á
saída troquei os pés, acelerando a fundo em vez de travar.
Abalroei um carro que ia a passar, amassando-lhe todo o lado
direito. O
automobilista era, por coincidência, o engenheiro que me fez o
exame de condução. Um bom homem, sem duvida. Insisti em dizer-lhe
que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de
repetir: "Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!".